terça-feira, 20 de novembro de 2007

Teia...



A ARANHA do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir.
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou presa do meu suporte


(Fernando Pessoa - Inéditas 1919-1935)

1 comentário:

Anónimo disse...

A poesia do Pessoa é simplesmente genial e arrebatadora. Hoje, faz parte de mim, são seus poemas meus companheiros cotidianos. E a tua arte vai se entranhando em minhas retinas com suavidade. Belo post. Abraços, minha querida amiga.